quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sala

É onde você enxerga coisas que não existem. Já sentiu o mundo assim, tão estranho?
Sentada no sofá, eu olho o tapete. Ele não tem razão de existir, ele não precisa estar ali. Sua função é unicamente estética (e isso é ruim?).
Olho para a lâmpada, ela me ofusca. Sem a luz que ela me oferece, estaria em plena treva.
Ouço aquelas notas. Por muitas vezes me fizeram chorar (será que alguém está chateado comigo?).
Sinto que magoei alguém, com minhas palavras quase sempre tão rudes.
Encaro a porta, na esperança de que algo apareça. Poderia ser qualquer coisa. Até quem sabe, um extraterrestre, um espírito, uma besta de sete cabeças, algum fruto de minha imaginação. A sombra e nada.
Um calafrio me percorre a espinha e tremo por alguns segundos. Não suporto o silêncio e certos sons me põem medo. Mas é um medo assim, de nada, um medo sem razão. É normal acontecer quando se está só, não é?
A luz ainda continua a me iluminar. Serei eu lâmpada ou tapete?
Sabe aquela música? Que faz assim: taaa- ra-ra-ra-ra-raaaa... Ela nunca mais vai sair de mim. É como escutar meu coração bater em uníssono com seus tambores, e sentir passos grandiosos, sentimentos grandiosos. Serei eu música ou silêncio?
Olho novamente para a porta, nossa visão nos prega peças. Principalmente em momentos de... Devo dizer? ...medo. Mas nada se encontra lá. Se te magoei, por favor me perdoe. E ninguém apareceu.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Agradecimentos

Mesmo quando a gente não merece, às vezes recebemos o reconhecimento, o privilégio de aproveitar os frutos de um serviço não feito.
Queria agradecer a gentileza do Lexotan e do Estranho Mundo de Jack de me indicar o Selo eu adoro teu blog, mostrando que mesmo não tendo atualizado por tanto tempo ainda lembram do chave-fechadura. Obrigada, meninas!
Como manda o manual, eu tenho que citar cinco coisas que gosto de fazer e indicar o selo para outros blogs.

Coisas:
1- Criar
2-Ler
3-Tocar instrumentos musicais
4-Comer brigadeiro em dia de chuva
5-Encontrar blogs legais de pessoas desconhecidas

Bom, os blogs indicados serão somente dois porque a maioria dos que eu acompanho já receberam o selo. Mas se o seu blog está ali no cantinho é porque eu adoro também!

Blogs:
1-Mente Estranha
2-Imaginação Grátis

Não se esqueçam de indicar para outros blogs e dizer as cinco coisas que gostam de fazer.

domingo, 31 de maio de 2009

Aqui

Agora eu me lembro porque saía daqui, porque não aguentava aqui, porque me revoltava aqui. Porque nesses instantes a minha vida resume-se em contar os minutos para o fim. Eu gostaria de tornar esse período melhor, e às vezes consigo torná-lo quase divertido, mas não. Em seguida os meus planos foram por água abaixo. A mesma coisa nunca muda - com mudar eu quero dizer, evoluir. E como poderia evoluir, com tantos retrocessos? Como poderia mudar com essas vidas estagnadas? Lembra daquele discurso que não é nem batido, mas esgarçado, furado e esfarrapado? De como é necessário livrar-se do senso comum e abrir a mente para novas idéias, perspectivas e visões de mundo? Esse papo de fugir do senso comum já foi tão usado que se tornou senso comum. E quanto a abrir a mente para novas idéias, só costumam dizer e nunca expor realmente, uma diferente forma de pensar. Mediocridade eu já tenho bastante, obrigada.
Mas tudo ia bem até as duas comadres iniciarem aquela conversa de canto de bar, de mesa de botequim ou de qualquer outro ambiente descontraído, que eu acordei e minha tolerância foi ficando escassa. Lembrei porque saía daqui, porque não aguentava aqui, porque me revoltava aqui.
De uma carteira dessas para uma mesa de bar eu fico com a segunda, afinal, nela as conversas são muito mais produtivas do que aqui, aqui, aqui. Aqui aonde deverei comparecer por mais alguns meses e ainda corro o risco de sair debatendo sobre a última edição da Veja e me achar o máximo.

Postagem escrita em 11 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 6 de março de 2009

Às vezes eu olha para o teto e penso: " e se ele desabasse agora?"
Talvez fosse bom... As pessoas correriam desesperadas, gritando, e seriam soterradas pelos destroços. Os bombeiros viriam, procurariam sobreviventes, o fato viraria notícia e, se tivéssemos, sorte, alguma homenagem nos seria prestada.
Sim, talvez fosse bom se o teto desabasse... 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os nossos dias

Foi quando eu tive a certeza de algo. Eu nunca saberia quando nem por que, mas de qualquer maneira, eu pude chegar a uma conclusão sem premissas. Pensei: Se eu fechar os olhos por muito tempo e não dormir, talvez eu possa enxergar de verdade. Se eu tiver o conforto de um simples toque verdadeiro, as agulhas não poderão mais me ferir. Se eu pensar muito em uma coisa só. Se eu pensar nessa coisa com todas as minhas forças, o pensamento e tudo o que ele contém, desaparecerá completamente.
Ao te ouvir dizer meu nome, respondo de imediato. Mas foi só um impulso. Seria realmente eu quem a palavra chama? Por algum motivo ouço tudo atentamente, como se meus ouvidos pudessem me enganar menos do que meus olhos. E quem pode culpá-los? É o meu olhar para fora. É a janela de minha casa dizendo: o mundo mudou. E quem pode culpá-lo por isso? Não nós, certamente. Como podemos julgar sendo tão culpados? Nós, seres sem berço que acolha nossa agonia. Seres que de tanto querer, cometem erros sem querer. Nós, predadores indefesos, de nós mesmos, de nós mesmos. Provavelmente tenha sido um engano questionar a real existência de tudo, e pior ainda achar que ignorar o problema o faz deixar de existir. Ainda pior é deixar morrer o "inexistente" e enxergar conveniências. Ninguém funciona por aqui.
Mas a toda hora me pergunto: Como é possível? Como é possível tantos mundos paralelos entrecruzando-se sem notar? Como é possível alguém acreditar na própria individualidade? Sob qual aspecto as coisas existem quando eu não estou presente? Como eu posso me descobrir em meu inimigo e diluir-me ao lado do amigo? Seres frágeis e indestrutíveis. Quando chega o momento em que já não é possível aguentar mais, em que já não se luta, não se acredita, não se mantém, nem sequer se sustenta. Algo se renova, algo se contrói. Tudo é feito de ciclos. Nada pára, nada permanece o mesmo. É você, missionário da destruição. Desmonta-se a cada dia, faz-se novo no outro. Deixando marcado para sempre, os rastros de sua queda.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Memórias de um ano novo passado


Hoje nem desprezo, nem festejo. Hoje sei porque faço essas coisas que todo mundo faz e eu também faço. Hoje faz um ano que tive aquele sonho. Hoje tive um sonho diferente daquele. Nele, era feiticeira, fazia magia com minhas próprias mãos, voava... Ainda agora lembro da sensação que era, mas o sol não me deixou em paz pela manhã. Logo cedo, brilhando e ardendo bem na minha cara. Mesmo que a adrenalina do pavio aceso tenha feito meu coração disparar, eu gostei. Depois de um jantar anfíbio eu pude descansar tranquila, ou quase tranquila, e de novo voltar para (por que não dizer?) mim mesma. Sabe que eu até comecei bem? Se existisse esse negócio, eu até que teria sorte, mas não existe. Não tem isso de "esse é o ponto final e aqui é o parágrafo". Como nós mesmas concluímos outro dia: "A circunferência é forma perfeita; sem começo, nem fim, apenas limitações". Assim são, assim somos enquanto circunferências. Com limite, eu quero dizer espaço físico. Se é perfeita, por que desmembrá-la em pedaços? Já era noite quando estávamos na varanda, discutindo sobre o sexo dos sapos e dos elefantes. Também era noite quando a luminosidade das faíscas quase cegou-me. Mas uma. Só uma não se foi, a que ficará brilhando para sempre. É engraçado isso, não é? De lembrar tudo como em um flash back. Nunca tive boa memória, não para acontecimentos reais. Mas de repente, eu conto tudo como se tivesse sido ontem. Ops, foi ontem. Mas quase nada disso importa, foi bom. Foi bom porque descobri algumas coisas. Sei que eu tenho, sim, uma certa gratificação depois de terminar todo o serviço, logo, gosto de fazê-lo, deixei de lado meus pensamentos místicos, choro de bebê me deixa aflita, não tenho mais tanto medo de fogo, nem de barulho alto, nem de sapos. Ah, e vocês não iam acreditar na rapidez com que ele devora insetos, é realmente impressionante. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As discrepâncias do Ser

Se você sente essa angústia ardendo por dentro, não adianta tentar tranquilizar-se pensando nisso como algo comum, embora seja, embora você não seja o único.
Se você sente essa angústia, é porque em algum momento você foi amplo demais e o mesmo não aconteceu com o espaço ao seu redor. Transbordastes.
Sentir as coisas, não significa possuí-las, nem tê-las significa aprisioná-las. Aliás, nunca se tem nada. As coisas não foram feitas para serem propriedade de alguém. Seguramos uma moeda, mas ela não é nossa. Nem o valor a ela atribuído. Nem nosso, nem dela. De ninguém. Vestimos um casaco, carregamos um amuleto, seguramos as mãos. Não são nossos, não somos nossos. Por mais que alguém deseje o Sol, roube a Luz ou compre um pedaço de terra... Não se pode agregar aquilo fora de sua natureza.
Aprisionar algo que, por natureza é livre, gera consequências catastróficas.
Moldar-se a um pequeno recipiente é mais fácil do que tentar preencher todo o espaço vazio a sua volta, implorando para que não entre em choque com alguém.
Em todos os momentos eu me controlo, em todos os momentos tenho que dosar as coisas, em todos momentos, eu devo economizar o que possuo. Temendo que acabe, temendo que eu me acabe, temendo não ter o suficiente para seguir até o fim. Mas tenho uma vontade de dizer àqueles com quem realmente me importo, que eu não fui tudo que conseguia, não fiz tudo que poderia, não terminei ainda, não ofereci tudo o que podia oferecer, nem mostrei tudo o que tinha pra mostrar. Quero pedir que, por favor, esperem mais um pouco.
E uma vontade... Uma vontade louca de gritar. Mas gritar o quê? De gritar a frase mais bonita do mundo. Mas nada está bom, nada está bom. A frase mais bonita, não é a mais bonita. Por que as coisas precisam ser dignas de receber o meu melhor? Não seria capaz de gritar a frase mais bonita temendo ser a minha única chance, e tudo o que seria possível ouvir, seria um grunhido horroroso de não saber o que dizer para que o mundo se volte e ouça.
Nem a dor de todos os desesperos e nem a beleza de todas a dores. Um cinza de chumbo. Da mistura de tudo. Aprendeu? Não adianta tentar misturar todas as coisas bonitas para conseguir algo que reúna todas as belezas em uma. É preciso escolher, é preciso escolher.
Na verdade o segredo não está nas coisas, mas no que delas é feito. Não queiras ter o mundo que as coisas todas são tuas, ela me disse. Sei que foi. E seguiu a perseguir a alegria de não ter nada, e continua seguindo.
Se são minhas meias palavras, ou minhas frases interminadas que retratam minha beleza, um dia cantarei uma música sem frases. O que eu tenho de melhor é o que eu não tenho.
O que eu realmente gostaria de dizer, àqueles que amo, àqueles que admiro, que não sabem que eu existo, que já não estão mais aqui, é adeus. Caso não dê tempo de me despedir. Mas quem gosta de despedidas?
Então, que nada fique registrado, que a minha frase mais bonita seja o meu silêncio. E minha maior beleza seja a de não saber. E que o meu amor esteja nos olhos de quem me vê. Agora você conseguiu.