Demorei algum tempo para perceber que estava viva. A dor foi meu primeiro aviso. Por isso digo que devo minha vida à ela. Se não fosse pela dor, existiria como se estivesse morta. quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
O nascer
Demorei algum tempo para perceber que estava viva. A dor foi meu primeiro aviso. Por isso digo que devo minha vida à ela. Se não fosse pela dor, existiria como se estivesse morta. quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Filósofa destrambelhada
O ar estava úmido e fresco. A noite reinava delicada e suprema como sempre. Poucas estrelas apareciam por causa das nuvens. Pensei no que dizer, pensei no que fazer, pensei no que pensar. Nada. Chega de tudo. Cansei. Hoje não serei poética, nem melancólica, nem filosófica. Hoje serei eu. Seca, amarga, cruel. Não, também não serei cruel. Serei apenas... Apenas serei. E essa tarefa, por mais espontânea que possa soar, é demasiada árdua. Dizer a verdade também não é uma tarefa fácil, até mesmo porque a maioria das pessoas não gosta de ouvi-la. Mas é segredo. A verdade é um segredo, é um bicho astuto que no momento em que nos voltamos para vê-la, já desapareceu, ninguém a vê, ninguém a captura, ninguém sabe o que ela guarda. Esqueça tudo que já aprendeu, porque esse é o nosso objetivo na vida: aprender tudo errado, como se fosse o certo e depois desacreditar de tudo e construir novas coisas, que por sua vez serão destruídas futuramente para então, dar lugar a novas coisas. Assim vai se formando o ser mais confuso e deficiente até hoje encontrado: o humano. Olho para mim mesma, tão perdida, ótima representação da espécie. Digo a mim mesma, chega de frescura, chega de perguntas, chega de você. Eu me canso de mim mesma assim, fácil, fácil. Mas hoje eu não falarei de mim, chega de mim. Hoje vou falar da vizinha, e do motorista de ônibus. Nunca ouvi os pensamentos do motorista, o que não significa que ele não pense (a verdade não é o que a gente ouve). Já ouvi a vizinha dizer bobagens e futilidades, o que não significa que ela não tenha pensamentos mais profundos (a verdade não é SÓ o que a gente ouve). Ontem sonhei que via minha casa sendo demolida, o que não significa que quando acordei minha casa estava aos destroços (a verdade não é o que a gente vê), mas também não quer dizer que eu não possa deixar minha casa e quando voltar ela estar demolida (a verdade a gente pode não ver). É isso! A verdade acontece mesmo sem a nossa presença, mas quem garante? Quem garante que eu esteja em minha presença e não em outro lugar? Quem garante que a verdade não me engane enquanto não ouço, não vejo, não sinto? Mas quando eu não ouço, não vejo, não sinto? Será que essas coisas realmente acontecem? E se não acontecem, por que eu sinto? Porra, quebrei a promessa de não ser filosófica (as promessas têm o valor que damos à elas). Por que damos valor a determinadas coisas e a outras não? Por que alguma coisa sempre significa mais? Por que podemos fazer essas escolhas? Por que existe uma certa crueldade na tão almejada liberdade? E se ela é cruel, por que a almejam? Se a realidade nos engana, se tudo pode ser uma simples ou complexa ilusão, por que todos se importam tanto? E se tantas vezes já cheguei a conlusão de que é impossível entender as coisas, porque sou orgulhosa demais para admitir que eu sou incapaz de entender, eu continuo. Entender as formas, as cores, o que é vivo e a própria vida. Algo existe.domingo, 13 de janeiro de 2008
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Quatro pedaços de papel e outras histórias
domingo, 23 de dezembro de 2007
As decisões não tomadas
Eu sei disso, eu sei. Mas no instante em que eu decidi escrever, vi aquela frase, parecendo um anúncio me dizendo que eu não deveria fazer nada. Mas eu queria dizer, mesmo sem saber como e o quê. Queria que você soubesse, mas pensei que talvez fosse melhor deixar tudo como está.
Egoísmo? Talvez seja. Jogar tudo assim na sua mão, para que você decida o que fazer, sem que eu coloque nada do que é meu em risco... Eu sei disso. Sei que não colaboro muito com a situação. Sei que evito mexer nos problemas, mas você sabe como eu penso. Não posso interferir, entenda, eu não tenho esse poder, nem essa liberdade, nem esse direito. E talvez nem mereça ter.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Fugas de Estela
Estela realmente pensava ter conseguido. Mas vocês conhecem Estela, menina ingênua, sonhadora, acredita que as coisas realmente dão certo no final. Mas deixa ela acreditar no que quiser, pobrezinha. Deixe-a viver na sua ilusão que assim não fere a alma. Mais vale uma ilusão realizada do que uma realidade desiludida, não é mesmo Estela? E ela concorda, balançando a cabeça com inocência. Desse jeito tão pueril, ela não se desgasta como os outros. Conserva a fé, a esperança, tudo aquilo que a maioria já perdeu. 
Agora eu mandarei o selo para outros blogs, porém, alguns para os quais eu mandaria já o receberam, então são só dois:
"O estranho mundo de Jack": Apesar da Jack não atualizar faz um tempão, eu gosto das estranhices dela.
"Modo imperativo": Esse é o blog da Leca, companheira de classe, de transporte e de blog. Gosto de suas poesias.
Enviados!